Cientistas da Uenf encontram substância com potencial anti-inflamatório nos frutos da aroeira, planta comum no Norte Fluminense.

    Pesquisadores da UENF estudam a propriedade anti-inflamatória da planta aroeira, muito comum em Campos e região. O trabalho, intitulado "Extratos e frações dos frutos de Schinus terebenthifolius Raddi inibem a produção de óxido nítrico por macrófagos", recebeu menção honrosa durante a XXIV Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, ocorrida de 19 a 22/08 em Águas de Lindóia (SP).

    Desenvolvida pela mestranda Natália Ribeiro Bernardes, a pesquisa teve a orientação da professora Daniela Barros de Oliveira, do Laboratório de Tecnologia de Alimentos (LTA), e co-orientação da professora Michele Frazão Muzitano, do Laboratório de Biologia do Reconhecer (LBR) da UENF. Conta ainda com a participação das alunas de Iniciação Científica Isabela Borges e Priscila Baltazar. 

    - Verificamos, nos testes em laboratório, que o fruto da aroeira inibe a produção de óxido nítrico (NO) pelos macrófagos (células de defesa do organismo). O óxido nítrico é normalmente liberado durante o processo inflamatório, mas como é tóxico acaba matando algumas células - explica Natália.

    Os pesquisadores já sabem qual a classe de substâncias responsável pela propriedade anti-inflamatória da aroeira: os flavonóides. A próxima etapa da pesquisa é avaliar de que forma isso acontece. Futuramente, Natália espera conseguir também produzir um fármaco a partir dos frutos da aroeira. - As pessoas costumam usar os frutos como condimento e somente as folhas como anti-inflamatório, através de chás. Nosso objetivo foi saber se os frutos também podem exercer esta ação - explica Natália, lembrando que, atualmente, as pesquisas sobre as atividades terapêuticas da aroeira se concentram nas folhas e nas seivas.

    Também conhecida como "pimenta rosa", a aroeira (Schinus terebenthifolius Raddi) é uma espécie nativa da flora brasileira e faz parte da diversidade da região de Campos dos Goytacazes. A planta também é conhecida popularmente por suas propriedades medicinais como adstringente, antidiarreica, anti-inflamatApesar do grande desenvolvimento da síntese química, boa parte das drogas prescritas no mundo ainda tem origem vegetal - ressalta Natália,  que atua no setor de Química de Alimentos do LTA/UENF, cujo foco das pesquisas está nos chamados alimentos funcionais - aqueles que, além de nutrirem, também possuem propriedades terapêuticas.

    Ela observa que o óxido nítrico (cuja produção é inibida pelos flavonóides contidos nos pigmentos dos frutos da aroeira) é um dos principais radicais livres envolvidos em diferentes patologias no organismo humano, tais como arterosclerose, problemas pulmonares, processos inflamatórios, câncer, lesões teciduais e cardiopatias.