Laboratório da Uneal pesquisa prevenção de doenças em caprinos.

    Estudos vão auxiliar projetos de desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local (APL) de Ovinocaprinocultura no Sertão de Alagoas

     Uma pesquisa inédita, desenvolvida por professores e alunos do campus da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), na cidade de Santana do Ipanema, está colhendo amostra de fezes de animais para evidenciar quais são as doenças parasitárias mais comuns em animais e suas implicações para a economia nas comunidades rurais da região sertaneja.

    O estudo é coordenado pelo professor Crisólogo de Sales Silva, que é mestre em Agropecuária pela Pontifícia Universidade de Goettingen na Alemanha.

    As pesquisas estão sendo realizadas no laboratório de parasitologia do campus de Santana do Ipanema, e contam com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa em Alagoas (Fapeal) e do Arranjo Produtivo Local (APL) de Ovinocaprinocultura.

    As amostras de fezes foram coletadas nas propriedades rurais em diversos municípios e depois levadas para análises no laboratório da Uneal, em Santana do Ipanema.

    Segundo o coordenador da pesquisa, os estudos têm a finalidade de detectar as principais infestações por parasitas que acometem os animais da região, possibilitando ao produtor a aplicação de vermífugos para combater doenças e, com isso, evitar a morte dos animais.

    “Esse trabalho é muito importante para o fortalecimento da atividade em todo Sertão alagoano, uma vez que permitirá, entre outras ações, novos projetos de extensão para a melhoria da qualidade dos produtos oriundos da produção de caprinos”, explicou.
    Ele também esclareceu que a pesquisa vai permitir a adoção de um programa de medicina veterinária preventiva, além de fornecer aos órgãos públicos, incluindo governo do Estado e prefeituras, competentes dados estatísticos referentes à prevalência das doenças mais comuns nos animais da região.

    Ele conta que, na primeira fase da pesquisa, foi realizado um mapeamento das parasitoses, com a participação de alunos e professores dos cursos de Zootecnia e Ciências Biológicas, além do apoio da Cooperativa dos Produtores de Pequenos Animais de Santana do Ipanema (Coopasil) e Cafisa, em São José da Tapera.

     Controle

    Os primeiros dados da pesquisa mostraram que os produtores fazem controle de parasitas com vermífugos comerciais e também, em alguns casos, com o uso de produtos naturais com ineficiência.

    Foi observado que 60,47% do rebanho do Assentamento Selma Bandeira não apresentou parasita, e 39,53% mostrou um desenvolvimento de diversos gêneros de parasitas, sendo a superfamília Trichostrongyloidea que predomina nos animais infectados em 60% do rebanho.

    Os estudos ainda mostraram que a maioria das infecções helmínticas de caprinos eram por helmintos da superfamília Trichostrongyloidea.

    No Assentamento Mocambo, a pesquisa revelou que 43% das amostras apresentaram resultados negativos, e 57% do material foi positivo em relação a presença de endoparasitos nos animais analisados.

    Durante o ciclo do agente, diversas células da parede intestinal são destruídas. Quando essa destruição atinge proporções elevadas, pode ocorrer uma enterite hemorrágica, manifestando-se por diarréia sanguinolenta com conseqüente anemia, perda de peso, desidratação e apatia nos animais.

     

    Os animais dos produtores do município de Olho d’Água das Flores apresentaram o parasita Eimeria sp, mas em proporções menores de 24%, e em maior número a superfamília Trichostrongyloidea com 60% dos animais analisados.

    Com base nos resultados obtidos, a pesquisa já descobriu que os endoparasitos encontrados com mais freqüência em caprinos leiteiros na área estudada são os da superfamília Trichostrongyloidea e os do gênero Eimeria sp, tendo também encontrado outros como Strongyloides sp, Trichuris, e Moniezia sp, sendo esses encontrados com uma menor densidade.

    Crisólogo Sales diz que o grupo já começou a pesquisar a utilização de remédios caseiros, como a aplicação do alho, pinhão-branco, entre outros produtos naturais, no tratamento e combate aos parasitas.

    “O ideal seria que o produtor somente utilizasse produtos com a certeza da infestação do parasita. Com isso, o agricultor iria economizar dinheiro e reduziria sobremaneira os efeitos colaterais dos vermífugos e até a morte dos animais”, observa ele, revelando que a próxima fase do trabalho envolverá a participação de especialistas em atividades de assistência técnica e orientação aos produtores acerca da higiene sanitária dos rebanhos.