Pesquisadores compartilharam experiências em seminário internacional.

     

    O I Seminário Internacional de Culturas e Desenvolvimento, realizado de 22 a 24 de outubro, propôs um espaço de interlocução entre culturas e tradições religiosas, buscando construir pesquisas e perspectivas pedagógicas inovadoras que promovam o (re)conhecimento das alteridades, na constante busca pela promoção dos direitos humanos.

     

    O evento, realizado nas dependências do Viena Park Hotel e nos auditórios da Universidade de Blumenau, contou com a presença de docentes e pesquisadores da Alemanha, Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador e Colômbia, em uma programação que incluiu simpósios temáticos, mesas-redondas e atividades culturais.

     

    Para o professor brasileiro Nilton Giese, Secretário Geral do Consejo Latinoamericano de Iglesias/CLAI no Equador, o evento objetivou o compartilhar de experiências, o que tem muito a ver com a aproximação a novas formas de religiosidade, “outras formas de adorar a Deus sem competir com a Igreja Católica”. Em sua palestra, o ministrante abordou os desafios dessa aproximação e os questionamentos provocados a partir do cristianismo. “Reconhecer que outras religiões também são reveladas por Deus e que cada uma tem um salvador. Devemos escutar qual é sua mensagem de salvação”, explicou ele sobre a temática. Em relação à importância desta discussão no contexto geral do evento, Giese destacou: “quando se fala em ensino religioso, deve-se falar que Deus se manifesta em todas as religiões e que compete a nós estudar e conhecer novas formas de expressar a fé. Não devemos excluir Deus das escolas, mas falar Dele com respeito.”

     

    Também do Equador, o professor Milton Cárceres Vazques, diretor da Escuela de Educación y Cultura Andina/EECA de La Universidad Nacional de Bolívia, afirmou que “o evento toca um dos aspectos mais importantes da vida, que é o sentido espiritual, o sentido sagrado e digno da vida e se propõe a dialogar sobre a educação e conhecimento.” A discussão do palestrante foi sobre a experiência intercultural de universidades no Equador. “Estamos trabalhando para a formação de uma ‘interversidade’, no lugar de universidade”, explicou. O Seminário apoiou esta discussão acerca do tema da espiritualidade como integrante da educação nas escolas e universidades.

     

    Na mesma linha temática, o professor Juan Carlos Valverde Campos, da Esculea Ecumênica de Ciências de La Religión da Universidad Nacional de Costa Rica/UMA, relatou que “vem de uma faculdade onde estamos trabalhando, estudando e investigando qual é o tema da interculturalidade. É uma epistemologia que presta atenção à diversidade cultural.” Segundo ele, devem prevalecer o respeito e a abertura às vozes caladas. Sua palestra, sobre culturas e diversidades religiosas na Costa Rica, contribuiu à discussão maior do evento, “não de forma a mostrar a história do país, mas divulgar como tentamos resolver os problemas. O que estamos estudando e a forma como abordamos o tema pode ser interessante aos participantes."