Bullying: um problema mundial.

    O Bullying compreende agressões verbais, físicas ou racistas entre crianças, jovens e adultos. O problema é na maior parte encontrado em escolas, mas também pode ser visto em ambiente de trabalho

     

    O termo Bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas. É um problema mundial encontrado em qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.

     

    A partir deste contexto, o professor Carlos Alberto Ferreira Neto, PhD, coordenador do Mestrado em Desenvolvimento da Criança, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa – Portugal, deu enfoque a palestra que fez parte do I Congresso Internacional de Desenvolvimento da Criança, na manhã desta terça-feira (17) no Espaço Integrado de Artes, Unisul de Tubarão.

     

    Segundo Carlos, há violência para todos os gostos. Seja de aluno com professor, professor com aluno e aluno com aluno. “A violência cria um ambiente de terror entre as partes, criando um sofrimento grande entre jovens e crianças. Muitas vezes, esse sofrimento é silencioso. O problema da violência está generalizado nas escolas e exige intervenção”, conta.

     

    O palestrante explicou que os agressores afetam um elevado número de crianças, vítimas e os observadores passivos. “Estes muitas vezes têm dificuldade de intervir para resolver a questão”. Segundo Carlos, o bullying tem como elemento comum a expressão de uma manipulação social e normalmente iniciada por terceiros. Ela pode ser racional, ou seja, o agressor prejudica a vítima através de um grupo de amigos, ou indireto, feito por uma terceira parte através de “boatos e rumores”.

     

    O bullying pode ser feito em formas de ofensa, humilhação, colocação de apelidos e perseguição. Estes são classificados como emocionais e verbais. O bullying racista é acompanhado de piadas sobre a raça ou a cultura da criança. O físico, podendo também fazer parte do verbal, são agressões físicas como bater, arranhar e puxar o cabelo. O sexual é composto por contato físico não desejado, comentários impróprios e abusivos. Há também o bullying cibernético, ou seja, internet, e-mail e sms.

     

    De acordo com o palestrante, os sinais mais frequentes das vítimas são: recusar-se de ir para a escola, comportamentos de tristeza, melancolia e angústia, procura de caminhos alternativos na ida e volta da escola, diminuição estranha do rendimento escolar, redução da socialização com colegas, arranhões e cortes não justificados, pedidos de dinheiro injustificado e aparência de objetos pessoais danificados. “Os locais onde a violência ocorre com mais freqüência são os recreios. As formas de violência com maior visibilidade são as físicas e as vítimas não denunciam estas situações, pois só o pensamento por si só é doloroso”.

     

    O Deputado Estadual Joarez Carlos Ponticelli, criador da Lei Estadual Nº 14.651 sobre o Bullying, participou da palestra e destacou a importância desta lei para o âmbito escolar. “A partir dela, cria-se o programa permanente de educação. O estado fica obrigado a participar deste contexto escolar para acabar com esse problema. Sugerimos que cada unidade escolar caminhe junto para o combate do Bullying”, afirma.

     

    O professor Carlos afirma que os pais e professores precisam ajudar as vítimas de forma compreensiva. “Em casa, procurar do diálogo e a escuta, resolver o problema sem precipitações e humilhações, promover a autoconfiança e encontrar conjuntamente formas de ajuda. Na escola, é necessário registrar os incidentes, observar a intensidade e a duração, informar os responsáveis institucionais, definir plano de intervenção e acompanhar sua evolução”.

     

    Carlos ainda conta que O “Bullying at Work”, ou seja, em situação de trabalho, ocorre repetidamente ao longo do tempo, causando stress e angústia. A humilhação pública, opinião depreciativa, a exclusão física e social, impedindo o acesso a oportunidades, tarefas e metas impossíveis, a mudança de responsabilidades, cenário de fracasso, entre outros, fazem parte do contexto adulto.

     

    O Congresso Internacional de Desenvolvimento da Criança ainda segue com palestras no período vespertino nesta terça-feira (17).