Projeto de registro civil do Hospital da Unimontes será adotado como modelo.

     


     

    O projeto de registro civil implementado pelo Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), despertou a atenção do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que vai sugerir sua utilização como modelo para outras instituições do Estado e do País. Criada em 2007, a iniciativa garante às mães a entrega das certidões de nascimento dos recém-nascidos antes mesmo da alta hospitalar.

     

    Uma equipe do TJMG esteve no Hospital da Unimontes, nesta semana, acompanhando passo a passo todas as etapas do serviço, que já beneficiou cerca de duas mil crianças, entre 2007 e o final de 2009. As imagens coletadas serão transformadas em documentário sobre humanização hospitalar, sendo exibido para todo o País pela TV Justiça (Distrito Federal), além da sucursal em Belo Horizonte (Canal Justiça) - na primeira semana de março.

     

    PARCERIA - Integrado às ações de humanização do Hospital Universitário Clemente de Faria, o projeto é desenvolvido em parceria com o Cartório de Registro de Pessoas Naturais de Montes Claros e a Defensoria Pública do Estado, seguindo, ainda, orientação do Ministério da Saúde. São expedidas, em média, 30 certidões por semana, entre segunda e sexta-feira. 

     

    Ainda não foi possível adotar um plantão específico aos sábados, domingos e feriados em virtude do expediente do Cartório, mas os números são bastante satisfatórios: são atendidas cerca de 80% das crianças nascidas no Hospital Universitário.

     

    Na avaliação do coordenador da Maternidade do HUCF, professor Hubert Caldeira, por mais simples que possa parecer, o serviço influencia na recuperação da mãe após o parto. “É uma preocupação a menos”, completa.

     

    Em decorrência desses resultados, o Hospital Universitário foi acionado para auxiliar na implantação do projeto em outras unidades de saúde de Montes Claros, como a Santa Casa e o Hospital Aroldo Tourinho, e, ainda, na cidade de Brasília de Minas.

     

    COMO FUNCIONA - As mães e acompanhantes já são informadas sobre o serviço no ato da internação. “Com um protocolo, duas estagiárias fazem a orientação sobre os documentos necessários para o registro das crianças”, explica a coordenadora assistente da Maternidade “Maria Barbosa”, do HUCF, Arlenes Soares Silva.

     

    O protocolo é entregue ao funcionário do Cartório pela manhã e, por volta do meio-dia - horário que as mães recebem alta - retorna ao Hospital já com as certidões expedidas e que são entregues imediatamente.

     

    Há ainda casos de famílias que vêm de cidades distantes e nem sempre têm em mãos os documentos necessários para o registro civil (certidão de nascimento ou casamento). “Mesmo que a pessoa não receba o documento aqui, recebe toda a orientação quanto aos procedimentos a serem adotados para acesso ao registro civil. Curiosamente, algumas pessoas fazem questão de voltar para consegui-lo pelo hospital”, explica a coordenadora-assistente.

     

    RECONHECIMENTO – Para André Felipe Cardoso, autônomo, de 23 anos, que acompanhou o registro do primeiro filho, Luís Felipe, o serviço oferecido pelo Hospital Universitário pode ser classificado como um “grande conforto”. “Toda mãe precisa de repouso depois do parto. Ao deixar o hospital com o registro civil do bebê, minha esposa não vai precisar mais sair à procura de um cartório e poderá ficar em casa cuidando dele sem essa preocupação”, observou.

     

    Elaine de Fátima Silva e Márcio Luís da Silva não esconderam a felicidade de garantir o primeiro documento da filha Layanne Victória em menos de 10 horas após seu nascimento (28 de janeiro), antes mesmo da alta da mãe. A terceira filha do casal nasceu de parto normal, assim como o primogênito, Márcio Júnior. O filho de nove anos nasceu também no Hospital da Unimontes, mas, na época, não havia o projeto de registro civil. A diferença no tratamento é observada pelo pai. “Só consegui registrá-lo uma semana depois do nascimento, ainda sim enfrentando fila no cartório”, comentou Márcio Luís.

     

    Ana Paula Rodrigues, do 6º período (matutino), e Emília Maia Siqueira, do 3º período (noturno), são as acadêmicas do curso de Ciências Sociais da Unimontes que atuam na triagem das mães e dos responsáveis para o encaminhamento dos documentos que permitem o registro civil dos bebês. “Os pais gostam muito deste serviço. Alguns ficam até surpresos ao saber que o Hospital oferece este benefício”, comenta a universitária Ana Paula. “O que as mães consideram como maior vantagem é a garantia de consulta nos postos de saúde e nos consultórios já com o documento original, ao invés de apenas fichas ou outro papel temporário”, acrescenta Emília.