Aos 34 anos, Uefs ainda busca se consolidar como instrumento de transformação.

     

    A luta por uma Universidade autônoma ainda é presente, talvez mais intensa que no período da ditadura militar, conforme afirmação do professor Naidson Quintela Batista, em palestra proferida na noite do dia 31. O evento integrou as atividades comemorativas dos 34 anos da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Naidson observa que a Instituição ainda precisa se consolidar como um instrumento de transformação da realidade econômica e social na qual está inserida, mas apontou avanços como ações de resgate da cultura regional.

     

    Naidson Batista fez relatos a respeito de lutas da comunidade desde a implantação da Uefs, em 1976, citando a criação de entidades de classes como a Associação dos Docentes (Adufs), em 1981. Ele também se referiu aos esforços pela realização de concursos públicos para contratação de novos servidores e criticou o que chamou de auto-censura interna “que trocava  apresentações de artistas regionais, como violeiros, por shows de bandas de outros países”.

     

    No atual contexto histórico, ressalta Naidson Batista, a Uefs deve intensificar o ensino, a pesquisa e a extensão para o semiárido, incluindo a criação de cursos como o de Agronomia com perspectiva para a viabilidade social e econômica da região.

     

    Presente ao evento, o reitor José Carlos Barreto de Santana afirmou que as homenagens devem estar voltadas para todas as pessoas que ajudaram a construir a Uefs, em todos os níveis de atuação, como os servidores que não têm visibilidade nesse processo. Todas as conquistas da Universidade, ressaltou, são frutos da luta da comunidade. “A Universidade não foi doada, mas tem sido constantemente construída por todos”, salientou.

     

    As comemorações contaram, também, com a presença do vice-reitor Washington Almeida Moura, de representantes da Adufs, como o professor Mateus Pires, e do Sindicato dos Servidores, Deibson Cavalcante, de funcionários, estudantes e professores. Dentre os representantes da comunidade externa, estiveram presentes o presidente da Academia de Letras da Bahia, Edvaldo Boaventura, o deputado federal Colbert Martins e o deputado estadual José Cerqueira Neto e o vereador de Feira de Santana, Frei Cal.

     

    Após a palestra, os presentes assistiram a apresentação artística da Orquestra Sanfônica de Aracaju, composta de 22 sanfoneiros. O grupo simboliza o encontro de três gerações, com integrantes na faixa etária dos 19 aos 67 anos. Dos 26 artistas, dentre os quais duas mulheres, são 22 sanfoneiros, três percussionistas e um baixista, sob a regência do músico Evanilson Vieira da Silva. Um dos destaques da orquestra é Robertinho dos Oito Baixos, filho dos forrozeiros Clemilda e Gerson Filho.