Museu Oceanográfico ganhará uma casa nova.

     

    Considerado o maior da América Latina, o Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) será instalado no Campus da instituição em Balneário Piçarras. As reformas para adaptar a estrutura já estão em andamento e a previsão é que a inauguração seja feita até o próximo ano. Todo o acervo do Museu Oceanográfico da Univali está finalmente reunido e, em breve, estará acessível ao público.

     

    A transferência do acervo para um único lugar permitiu inventariar as coleções, possibilitar o acesso aos acadêmicos, professores e pesquisadores e montar uma exposição à altura do museu conta Jules Marcelo Rosa Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali: "Contamos com um acervo de importância internacional. São cerca de 200 mil peças catalogadas com um efetivo sistema de curadoria e um rigoroso protocolo de manutenção. Seguramente está entre os quatro principais acervos de história natural do Brasil e na temática oceanográfica é o maior da América Latina".

     

    Jules conta que o projeto de construção do Museu Oceanográfico, em Itajaí, não foi descartado. No entanto, a estrutura que está sendo montada em Balneário Piçarras pode ser rapidamente vertida para uma nova temática por meio de acervos que a instituição, mantém com instituições parceiras. Ele detalha que a área de exposição do Museu Oceanográfico Univali em Balneário Piçarras terá mil metros quadrados o que somado a todas as demais áreas do museu atinge aproximadamente quatro mil metros quadrados de área construída:

     

    "Será um dos maiores museus de história natural da América Latina e o terceiro maior museu oceanográfico do mundo. A temática da exposição abrangerá a formação dos oceanos, a evolução dos seres vivos, a história da oceanografia, os recursos vivos e minerais dos oceanos, a preservação do meio ambiente marinho e uma ampla exposição sobre os seres vivos marinhos, disposta em ordem filogenética, isto é, dos organismos mais primitivos e antigos como esponjas, corais, moluscos, crustáceos, aos mais complexos e evoluídos como peixes cartilaginosos, peixes ósseos, répteis marinhos, aves marinhas e mamíferos marinhos", pontua.

     

    O acervo reúne coleções de diversos grupos de grande importância científica, destacando a maior coleção de conchas da América Latina, com 88.813 amostras, que incluem as duas conchas mais procuradas por colecionadores no mundo. A maior coleção de mamíferos marinhos do Brasil, com 708 lotes que incluem baleias, golfinhos, focas, lobos e leões marinhos de diversas espécies, a maior coleção da América Latina de tartarugas marinhas, com 644 lotes, a maior coleção de elasmobrânquios (tubarões e raias) da América Latina e a quarta maior do mundo, com 5.017 espécimes que incluem exemplares raros e únicos em nosso continente.

     

    Segundo Jules, o prédio onde o Museu será instalado reúne todos os quesitos de segurança, acessibilidade e viabilidade de montagem de uma exposição com um projeto museográfico moderno e estará estrategicamente instalado em local de fácil visitação: "Estaremos as margens da BR 101, próximo ao Parque Beto Carrero World. Isso é estratégico para o acesso de turistas. Além disso, estamos certos que a implantação do museu será um ganho para o município de Balneário Piçarras", conclui.

     

     

    17 anos de história

    O acervo que compõe o Museu Oceanográfico da Univali começou a ser montado em 1976 pelo pesquisador Jules Soto. Ele foi catalogado em 1982 e institucionalizado por meio de uma ONG em 1987 quando já contava com cerca de cinco mil peças seletas, algumas delas espécies inéditas para a ciência que viriam a ser descritas nos anos seguintes. Ele foi incorporado pela universidade em 1993 por ocasião do ingresso do professor Jules Soto no quadro de docentes da instituição. Inicialmente contou com a participação exclusiva de acadêmicos que se dedicavam a coleta de organismos marinhos em saídas de campo e embarques, passando a ser uma unidade da Univali em 1999.