Uesc lança livro ainda inédito no Brasil sobre Ilhéus do século XIX.


    A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) estará entregando ao público, principalmente aos estudiosos da historiografia brasileira, uma publicação ainda inédita no Brasil. Trata-se de Mato Virgem, título original do livro, escrito em alemão, por Ferdinand Maximilian Joseph Von Habsburg, arquiduque da Áustria, em que ele relata a sua viagem a Ilhéus e arredores, nos idos de 1860. A publicação é resultado de pesquisas da doutora Moema Parente Augel, em arquivos da Áustria, Bélgica e Itália, além do Brasil. Totalmente desconhecida dos brasileiros, a obra veio a lume, em 1864, em Viena.   

     

    O livro, publicado pela Editus, editora da Universidade, está elaborado em duas edições distintas: uma simples em volume único e, outra, em versão luxo desdobrada em  três volumes.  Com apresentação do professor doutor Soane Nazaré de Andrade, um dos incentivadores da obra, e prefácio da professora doutora Consuelo Pondé de Sena, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Mato Virgem será lançado este mês (23), às 10h30min, no 5º andar da Torre Administrativa, no campus da Uesc.

     

    Moema Parente Augel, natural de Ilhéus, é doutora em Literatura  pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisadora há vários anos, na área de Literatura de Viagens, especialmente de estrangeiros que estiveram na Bahia no século XIX, reside na Alemanha onde é professora em universidades daquele país.  A obra, com 364 páginas, contém os resultados científicos da viagem de Maximiliano ao Brasil, particularmente a Ilhéus, representando importante contribuição aos estudos da história natural da época. É uma das mais expressivas obras escritas sobre a região sul da Bahia no século XIX.

     

           Maximiliano de Habsburgo, também conhecido no Brasil como Maximiliano da Áustria, descreve, nos seus relatos, as condições de vida da gente que habitava Ilhéus e cercanias naquela época, as características físicas, a miscigenização – europeu, africano e índio -, hábitos alimentares, trajes, atividade econômica e aspectos outros. Porém, seu deslumbramento maior foi a visão da majestosa floresta atlântica, com a sua riqueza botânica e faunística, que tão bem descreveu em texto e desenhos. Dela levou exemplares vivos de plantas tropicais para os parques e jardins da sua terra natal.