Cerimônia no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz marca início do 59º Fórum Nacional de Reitores da Abruem

    Discursos inaugurais colocaram cenário econômico e crise política como desafios impostos às universidades públicas

    Reitores, vice-reitores, pró-reitores e assessores das universidades estaduais e municipais brasileiras participaram, na noite dessa quarta-feira (19), da solenidade de abertura  do 59º Fórum Nacional de Reitores da Abruem (Associação Brasileira das Universidades Estaduais e Municipais), realizada no Auditório da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, Bahia. A cerimônia, que contou com a presença da presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), professora Anatércia Ramos Lopes, reuniu, ainda, representantes das prefeituras de Ilhéus e de Itabuna e do governo do estado.

    O presidente da Abruem, reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro), ao centro, acompanhado pelos reitores das universidades realizadoras do 59. Fórum, da esquerda para a direita, Paulo Roberto Pinto Santos (Eesb), Adélia de Melo Pinheiro (Uesc) e Evandro do Nascimento Silva (Uefs, e da vice-reitora Carla Liane dos Santos (Uneb)

     

    O 59º Fórum é uma realização conjunta das quatro universidades estaduais baianas – Uesc, Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana), Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) e Uneb (Universidade do Estado da Bahia). E, durante a cerimônia de abertura, todos os reitores, ao fazerem uso das palavras para saudar os participantes, tomaram como ponto de partida o tema central do Fórum desse ano – Universidade: trajetória, dilemas e desafios – para tratar do atual cenário imposto às universidades públicas, de modo geral.

    Primeira a discursar, a reitora da Uesc e vice-presidente da Abruem, Adélia Pinheiro, lembrou que a temática desse encontro do segundo semestre de 2016 é bastante atual e reforçou que todos os desdobramentos dados a ela dizem respeito à vivência das instituições de ensino superior na atualidade e também no futuro, já que são os desafios do hoje que projetarão as universidades do amanhã.

    “O momento é oportuno para exercitarmos a capacidade crítica das universidades para que saíamos em defesa da educação básica e superior públicas”, sentenciou Adélia. “Durante os próximos dois dias, nesse Fórum, ao mesmo tempo que construíremos nosso posicionamento frente às dificuldades que se apresentam, reafirmaremos a esperança”.

    O mesmo sentimento de confiança de que é preciso e possível encontrar caminhos para reverter o atual cenário imposto às instituições de ensino superior públicas foi apresentado pelo reitor Paulo Roberto Pinto Santos, da Uesb. “O clima agradável de Ilhéus vai nos ajudar nas reflexões e discussões sérias sobre e para a governança das universidades e, também, na proposição de políticas públicas para as IES, ações conjuntas que vão nos ajudar a superar esse atual momento de adversidade”.

    O reitor da Uefs, professor Evandro do Nascimento Silva, iniciou sua fala lembrando que as universidades estaduais e municipais têm em comum uma certa trajetória peculiar, já que são todas instituições recentes, com menos de quarenta anos. Constatação que possibilitou dar sequência ao raciocínio apresentado. “No momento em que nossas IES estão maturando e produzindo o melhor para as nossas sociedades, nós vemos se descortinar um tempo de crise, de incertezas e de sérias ameaças em nome de um chamado ajuste fiscal. Esse é o dilema que nos é imposto no presente e que refletirá nas universidades que seremos no futuro. Nosso desafio, então, é encontrar formas de resistência para esse estado de privilégios para poucos que se desenha como cenário”.

    “Um momento conturbado para o país e extremamente complexo para a educação e, de modo particular, para a educação”. Assim foi definida a situação brasileira do tempo presente pelo presidente da Abruem, reitor Aldo Bona, logo no início de sua reflexão. “Nosso cenário aponta, por um lado, intensos debates e, por outro, medidas impostas sem debate algum, o que nos desafia e exige de nossa associação o amadurecimento de posicionamentos coletivos”.

    Para Bona, a Abruem deve ser entendida e defendida como um espaço de representação técnica e política das instituições de ensino superior públicas estaduais e municipais. Sua proposta, então, para o Fórum é “debater a universidade real e seus desafios, sem perder de vista a utopia que nos impulsiona a horizontes ainda não alcançados. Assumir e defender claramente a posição de que de fato é necessário reduzir o gasto público, mas é igualmente necessário aumentar os investimentos em educação para que essa possa ser ampliada e qualificada sempre. Para uma nação cuidar bem de seu povo, deve oportunizar a ele boa formação em todos os níveis, preparando as pessoas para serem produtivas, mas, acima de tudo, para serem cidadãs”, defendeu.