Especial 59º Fórum Nacional de Reitores Câmara Técnica de Extensão

    A segunda edição anual do Fórum Nacional de Reitores promovido pela Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) reúne, além dos dirigentes universitários, os membros das Câmaras Técnicas da Associação, que apresentam os resultados dos trabalhos desenvolvidos ao longo dos últimos meses e prospectam as ações que serão colocadas em prática  até o ano seguinte.

    A explanação da Câmara Técnica de Extensão teve início com as ponderações do presidente da mesma, reitor Haroldo Reimer (UEG). “É preciso pensar por que e como mudar a atual situação da extensão universitária. Afinal de contas as ações extensionistas não são portadoras da mesma dignidade do ensino e da extensão, de modo geral. Afirmo isso tomando como exemplo a minha instituição, a Universidade Estadual de Goiás que, em alguns de seus campi, tem uma carga horária destinada à extensão baixíssima, menor do que três por cento. Me pergunto, então, como essa universidade consegue dialogar com a sociedade?”. E as reflexões de Haroldo sobre a extensão também levaram a mais constatações e questionamentos. “A educação universitária é baseada na indissociabilidade entre nensino, pesquisa e extensão. Mas essas atividades finalísticas devem estar indissociáveis no indivíduo-docente ou no conjunto de docentes?”.

    Mostrando as dúvidas que permeiam a extensão universitária nesse momento de curricularização da  atividade, Haroldo Reimer ressaltou a importância de se pensar e discutir a temática e passou a palavra ao pró-reitor de Extensão da UERN (Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, professor Etevaldo Almeida Silva, representante do Forproex (Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras).

    Etevaldo apresentou a sistemática de avaliação da extensão, formulada pelo Forproex considerando sua importância acadêmica e seu lugar no Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014, Estratégia 12.7), que estabelece a curricularização da extensão com a destinação para esse tipo de atividade de 10% da carga horária total de todos os cursos universitários, até 2024. “Avaliar a extensão é avançar na qualidade acadêmica, sobretudo porque temos missão de implantar a creditação da extensão nas instituições de ensino superior. Para isso, num primeiro momento identificamos como implantar a curricularização a partir da sistemática de programas e projetos de extensão. A avaliação, que é estudada pelo Forproex desde 1999, se dá a partir de três parâmetros: validade, confiabilidade e comparabilidade. Além disso, definiu-se quais são as dimensões de avaliação da extensão: política de gestão, infra-estrutura, plano acadêmico, relação universidade-sociedade e  produção acadêmica”. Desse modo, o Forproex estabeleceu os Indicadores Brasileiros de Extensão Universitária, que são  uma base de referência comum para todos as instituições de ensino superior públicas. O documento estabelece, por exemplo, o objetivo da atividade extensionista, que é promover a interação transformadora entre universidade e sociedade.

    Para Etevaldo, agora, o Forproex e os pró-reitores de Extensão têm um novo objetivo a ser cumprido, isto é, a elaboração de uma espécie de Minuta de Curricularização da Extensão. Como sugestão, o trabalho deve ser realizado em conjunto entre as pró-reitorias de Extensão e de Graduação e, também, buscar a inserção da Extensão na Pesquisa, já que esse é um dos critérios de inserção social nas avaliações da Capes para os Programas de Pós-Graduação