Especial 59º Fórum Nacional de Reitores - Câmara de Internacionalização e Mobilidade apresenta balanço das ações das universidades afiliadas.

     Análise também permitiu visualização dos principais desafios das instituições para a área

    Aos três pilares básicos do ensino superior universitário, nos últimos anos, vem se juntando um quarto: a internacionalização. Por isso, a Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) tem entre suas Câmaras Técnicas uma voltada especificamente para a questão. No último fórum de Reitores da entidade, os integrantes da CT apresentaram um levantamento realizado junto à maior parte das universidades afiliadas – já que foram todas convidadas a responder mas não 100% enviaram os números – sobre os dados relacionados à mobilidade discente.

    A pesquisa apontou que no quesito internacionalização as universidades estaduais e municipais enviam mais alunos ao exterior do que recebem estrangeiros na graduação, realidade porém que não se repete na pós-graduação, quando recebem mais pesquisadores estrangeiros do que enviam pós-graduandos para universidades de fora do país. No primeiro caso, as porcentagens são 84,7% no envio e 15,3% no recebimento. Já na PG elas se invertem.

    As áreas prioritárias para o envio de estudantes para o exterior em processo de mobilidade são as Ciências Exatas e da Terra, com 58,1% do total de envios, Ciências Biológicas e da Saúde, com 29%, e Ciências Humanas e Sociais, com 12,9%. Já os estudantes que chegam para estudar no Brasil pertencem a cursos ligados as Ciências Humanas e Sociais e as Ciências Exatas e da Terra, ambas com 38,5% cada, e Ciências Biológicas e da Saúde, com 23,1%. Os países que mais recebem estudantes universitários brasileiros são os Estados Unidos, Portugal, Espanha e Canadá. Já o Brasil recebe, majoritariamente, acadêmicos da França, da Colômbia e de Portugal.

    Para o envio de estudantes em processo de mobilidade internacional as universidades contam, prioritariamente, com financiamento do Ciência Sem Fronteiras, programa do governo federal, em 61,5% dos casos; e do Santander Universidades (26,4%). Além disso, em menor escala, também investem recursos financeiros próprios e contam com investimentos do programas Brafitec, Erasmus, Gcub, Brafragui, Fundação Botin, Licenciaturas Internacionais e Unibral.

    Os números acima revelam a importância do programa Ciência Sem Fronteiras, que foi crucial para o avanço da política de internacionalização das instituições de ensino superior brasileiras. Ao mesmo tempo, a pesquisa também permitiu avaliar as deficiências e dificuldades encontradas pelas universidades estaduais e municipais no quesito internacionalização. A principal delas está nos obstáculos encontrados para o cumprimento dos planos de atividades nas instituições recebedores e, no retorno à universidade de origem, no reconhecimento das atividades acadêmicas desempenhadas no exterior. Assim, os membros da CT de Internacionalização e Mobilidade reforçaram a necessidade de que as instituições repensem seus regulamentos internos, suas estruturas curriculares, além das abordagens pedagógicas.