FINEP assina parte dos convênios da subvenção econômica

    A FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos – deu início nesta quarta-feira (12), à assinatura dos convênios para repasse dos recursos às empresas que tiveram propostas selecionadas no edital de Subvenção Econômica à Inovação. Ao todo, serão contratados 174 projetos. Nessa primeira etapa, foram contactadas 80 empresas que já estavam com a documentação em ordem. "A previsão é encerrar o processo de assinatura dos contratos até o início de janeiro", afirmou o diretor Financeiro da FINEP, Fernando Ribeiro. As empresas que ainda não foram agendadas devem aguardar um contato da Agência. 

    Entre os 174 selecionados, cerca de 30% são das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, um percentual bem acima do alcançado no ano passado, quando 12% das propostas aprovadas vieram dessas três regiões. Dos projetos contemplados, 103 vieram de micro e pequenas empresas.
    Lançado em outubro deste ano, o segundo edital da subvenção econômica prevê investimentos no desenvolvimento de processos e produtos inovadores em empresas brasileiras. Foram selecionados projetos em cinco grandes áreas: tecnologias da informação, comunicação e nanotecnologia; biodiversidade, biotecnologia e saúde; inovações em programas estratégicos; biocombustíveis e energia; e desenvolvimento social.
    Os recursos da subvenção são não-reembolsáveis, ou seja, as empresas beneficiadas não precisarão devolver o dinheiro recebido.  
    A modalidade da subvenção econômica começou a ser utilizada pela FINEP no fim de 2006. O programa inaugurou no Brasil um mecanismo de política pública, já utilizado por países desenvolvidos, que prevê a concessão de recursos não-reembolsáveis para projetos de inovação em empresas. Até então, apenas instituições públicas de ensino e pesquisa eram contempladas com esse tipo de financiamento. A mudança só foi possível a partir da aprovação da Lei da Inovação e da Lei do Bem.

    Propostas inovadoras
     
    Empresa de São Carlos, a Opto Eletrônica é uma das selecionadas no edital de Subvenção Econômica à Inovação. A empresa vai receber R$ 5,5 milhões para o desenvolvimento de câmeras de visualização para uso médico e militar. 
    A tecnologia, que utiliza sensor térmico, vai permitir a realização de exames rápidos e eficazes para diagnóstico de inflamações, câncer de mama e de pele, problemas de má circulação, trombose, necroses de tecido, entre outros.
    “A idéia é que o preço final do equipamento, estimado em U$$ 20 mil, possibilite a massificação de seu uso em postos de saúde e hospitais comunitários”, afirma o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, Mario Antonio Stefani. Segundo ele, um tomógrafo, que tem aplicação semelhante, custa em torno de US$ 1 milhão. 
    Na área militar, a mesma tecnologia terá um dispositivo de visão noturna e será usada por tropas em ação na região da Amazônia. O aparelho possibilitará, entre outras coisas, a localização de pessoas escondidas em matas, aviões, carros e outros objetos.
     
    Cana de açúcar
     
    Outro exemplo de projeto contemplado pelo programa é o da Bionergia do Brasil. Nesse caso, a FINEP vai destinar R$ 500 mil para o desenvolvimento de tecnologia para controle biológico da broca da cana de açúcar, uma praga que ameaça a cultura canavieira no Brasil. Hoje, os produtores optam pelo controle químico, que além de caro, provoca danos ao meio ambiente. Também existem controles biológicos da praga disponíveis no mercado, mas a custo elevado e com a desvantagem de terem uma durabilidade menor. 

    A proposta da Bioenergia é desenvolver variedades de fungos mais adaptados às regiões produtoras, com maior controle de qualidade e com custo 50% menor do que os atuais. Hoje, o quilo do produto biológico custa cerca de R$ 10,00, sendo que, para cada hectare de plantação afetado pela praga, é necessário utilizar quatro quilos do produto.

    Segundo o coordenador de Gestão de Tecnologia e Inovação da empresa, Eder Antonio Giglioti, as lavouras mais afetadas pela praga estão localizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. “O clima mais quente e úmido favorece a proliferação da broca”, afirma o pesquisador. 
    De acordo com ele, quando atacada pela praga, uma usina de médio porte, com 25 mil hectares de cana-de-açúcar, chega a perder até R$ 10 milhões por ano. O projeto da Bioenergia, que terá duração de dois anos, está orçado em mais de R$ 1 milhão. A empresa entrará com contrapartida no valor de R$ 582 mil.
     
    Internet compartilhada
     
    Também selecionada no edital, a Taho – empresa que oferece provedor de acesso à internet em alta velocidade, receberá R$ 2,2 milhões da FINEP. Os recursos serão aplicados no desenvolvimento de um equipamento que permitirá ao usuário de internet compartilhar a sua assinatura com pessoas vizinhas. A idéia é que isso ocorra nos momentos em que o assinante da linha não estiver fazendo uso do sistema. 
    A meta da empresa, que entrará com contrapartida no valor de R$ 700 mil, é disponibilizar o aparelho em no máximo dois anos por cerca de R$ 100 a unidade. Segundo o vice-presidente de TI e Operações da Taho, Luiz César Abad, a tecnologia representa um novo conceito de acesso à internet, fundamentado em redes comunitárias auto-sustentáveis. “Estamos criando uma nova forma de geração de renda para áreas de grande densidade populacional e condições sócio-econômicas menos favorecidas”, afirma Abad. Hoje, já existe um protótipo do equipamento em São Francisco, Estados Unidos. (Assessoria de Imprensa da FINEP)