FINEP se prepara para analisar projetos audiovisuais

    A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) já começou a se preparar para gerir o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Dois meses depois da assinatura da carta de intenções entre a FINEP e a Agência Nacional de Cinema (Ancine), profissionais do setor foram convidados à sede da empresa para esclarecer as peculiaridades da indústria do entretenimento aos técnicos da casa.

    “Projetos na área do audiovisual são tão arriscados quanto invenções na fronteira da tecnologia. A FINEP está acostumada a essas incertezas, mas temos de entender as especificidades do setor", explicou Antônio Cândido, analista presente ao encontro.

    Além dos analistas da Financiadora, participaram do seminário "A economia do audiovisual", ministrado por Leonardo Monteiro de Barros, sócio da produtora Conspiração Filmes, a superintendente da área de investimentos da FINEP, Patrícia Freitas, e o diretor da Ancine, Mário Diamante. Bruno Weiner, da Downtown Distribuidora, também fez palestra. "Os próximos cinco anos serão muito interessantes", provocou Barros, enumerando as diferentes possibilidades de modelos de negócio envolvendo um fundo público. "O incentivo é muito importante para o cinema, cuja relevância social também está na geração de trabalho por diferentes classes sociais".

    A exemplo dos outros fundos setoriais geridos pela FINEP, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) permitirá o financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de cinema no país. Em seu conselho gestor constarão dois representantes do Ministério da Cultura, um da Ancine, outros dois agentes do setor e um da FINEP. "Caberá ao conselho gestor definir a alocação dos recursos e as áreas prioritárias de investimento. As formas de financiamento, ou como os recursos serão reembolsados, se o forem, serão determinados por essas decisões. Podemos decidir por priorizar a expansão das salas de cinema ou por aumentar o market share brasileiro no setor do audiovisual, por exemplo", complementou Diamante.

    Atualmente, o Brasil representa apenas 2% do faturamento das majors - como são chamados os grandes estúdios cinematográficos. "Com uma plataforma de mecanismos de incentivo, começa-se a trabalhar com economia de escala. Há uma forte tendência de valorização dos agentes de planejamento, com a organização de uma carteira de filmes. Os recursos do fundo podem também ser dirigidos a esse planejamento dos lançamentos, que já acontece lá fora, mas não no Brasil, onde ainda há um déficit entre a produção e a distribuição", avaliou Diamante.

    O próximo passo será a publicação do regulamento e constituição do comitê do FSA por meio de decreto do presidente.


    Fonte:
    www.finep.gov.br