Luto oficial na Unimontes

     

    Através de resolução ‘ad referendum’ do Conselho Universitário, assinada na manhã desta segunda-feira, pelo reitor, professor Paulo César Gonçalves de Almeida, foi estabelecido luto oficial por três dias – 10, 11 e 12 de março - no âmbito da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), devido ao falecimento do cônego Adherbal Murta de Almeida, professor emérito da instituição, ocorrido na tarde do último sábado (8). Ele foi sepultado na manhã do último domingo (9) com expressivo acompanhamento, depois de velado na Igreja Nossa Senhora Rosa Mística.
     
    Na resolução, o reitor destaca que o padre Murta, como era mais conhecido, “enquanto cidadão, educador e religioso, foi sempre exemplar, digno e honrado”, também “ofereceu inestimável e relevante contribuição ao progresso da educação, da arte e da cultura em nosso Estado, nas regiões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha e, especialmente, em Montes Claros”.
    É enaltecida, ainda, a sua “participação decisiva” no processo de implantação e consolidação dos primeiros cursos superiores na região, tendo contribuído, ainda, “de forma significativa para a implantação da antecessora da Universidade Estadual de Montes Claros, a Fundação Norte Mineira de Ensino Superior (FUNM), e da própria Unimontes”.
     
    No documento é salientado o fato de o cônego Adherbal Murta ter sido “um dos mais brilhantes, competentes, admirados e respeitados mestres na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Norte de Minas (Fafil), por isso mesmo distinguido com a insígnia de professor emérito da Unimontes”. Também é observado que ele “emprestava o seu talento e valiosa colaboração como integrante do conselho editorial da Editora Universitária”.
     
    Amigo do padre Adherbal Murta, a quem considerava como “verdadeiro mestre, na concepção de tudo o que representa o exercício do magistério”, o reitor da Unimontes, professor Paulo César Gonçalves de Almeida, frisa que ele “congregava a sabedoria em todos os sentidos e níveis”. Acrescenta o reitor: “favorecia-lhe, no entanto, a capacidade de aglutinar holisticamente o amor de Deus e o amar terreno, resultando na compreensão humana para os sofrimentos dos homens e na explanação divina para que fossem superados os dramas humanos”. 
     
    Ainda segundo o professor Paulo César, “na árvore da vida, Padre Murta foi justo e colheu frutos, mas, acima de tudo, cumpriu o papel evangelizador, ganhando almas para Cristo”.
     
    Resumo biográfico – O padre Adherbal Murta nasceu no dia 8 de maio de 1921, em Rubelita (Norte de Minas), sendo primeiro dos seis filhos do casal Ademar de Almeida e Emília Murta de Almeida. Cursou o ensino fundamental na Escola Estadual Doutor João Porfírio, em Salinas. Fez o curso médio no Ginásio Municipal de Montes Claros e no Seminário Metropolitano de Pirapora do Bom Jesus (SP), onde também estudou Filosofia no Priorado Premonstratense. 
     
    Foi ordenado sacerdote premonstratense em 22 de dezembro de 1945, em Jaú (SP). Iniciou os estudos sobre Deus na Teologia da Faculdade de Teologia de Jaú. Graduou-se em Filosofia pela Faculdade de Ciências e Letras de São João Del Rey e em Pedagogia pela Faculdade Dom Bosco, também naquela cidade.
     
    Em 1947, juntamente com o padre Chico, fundou a Escola Apostólica São Norberto de Montes Claros (antigo seminário da Ordem dos Padres Premonstratenses), da qual foi diretor. Ele foi pároco em Monte Azul (1953/1958) e Brasília de Minas (1958/1961).
     
    Nesta última cidade, fundou o Colégio Santana, onde lecionou francês e latim. Em 1962, atuou em Ervália (região da Zona da Mata), onde lecionou sociologia e psicologia no Colégio Faria Tavares, do qual foi diretor. Ali também dirigiu o Ginásio Brasil.
     
    De 1966 a 1968, trabalhou em Bocaiúva, onde ensinou francês e psicologia na Escola Estadual de Bocaiúva. Em Montes Claros, fundou o antigo Colégio Padre Chico, do qual foi diretor. Fundou, também, o Colégio São Norberto em 1972, tendo sido o seu primeiro diretor. Desde julho de 2002, tornou-se vigário da Igreja de Nossa Senhora Rosa Mística.
     
    Padre Murta recebeu várias homenagens, entre condecorações e títulos de cidadania honorária de vários municípios mineiros. Era membro da Academia Montesclarense de Letras (cadeira 43, patrono Padre Vincart); fundador e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (cadeira 99, patrono Waldemar Versiani dos Anjos); e membro da Academia de Letras, Ciências e Artes de São Francisco (Aclecia).
     
    Atuação na Unimontes – De 1977 a 1980, padre Murta foi professor responsável pelas disciplinas de Psicologia da Personalidade e de Psicologia Social na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafil), incorporada depois pelo Centro de Ciências Humanas (CCH), vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
     
    Foi agraciado, em 1996, com o título de Professor Emérito pelos relevantes serviços prestados ao ensino superior do Norte de Minas e, em 1999, recebeu, ainda, o diploma de Honra ao Mérito. Em março de 2003, proferiu a aula inaugural do curso Normal Superior, no campus da Unimontes em Brasília de Minas. Era ainda membro do Conselho Editorial da Editora Unimontes e do Conselho Editorial da Revista Verde Grande (Prefeitura de Montes Claros/Unimontes).
     
    Ele deixa os irmãos Tarcísio Murta de Almeida, Tereza Isabel Murta de Almeida e Míriam Murta Morais.