UEG oferece pós-graduação em cinema e educação

    A utilização das novas tecnologias em sala de aula como suporte para se transmitir conhecimento aos alunos está muito em voga nas discussões pedagógicas atuais. E dentre as novas tecnologias, o cinema ocupa um lugar de destaque. Assim , nada mais pertinente do que o curso de especialização em Cinema e Educação que a Universidade Estadual de Goiás oferece em parceria com a Cara Vídeo. Com o início das aulas programado para o dia 9 de maio, o curso, coordenado por Vera Bergerot,  objetiva  demonstrar as possibilidades de uso do cinema como ferramenta pedagógica em disciplinas, projetos interdisciplinares ou multidisciplinares de todos os níveis do ensino formal e analisar a linguagem dos meios audiovisuais e seu impacto crescente sobre as novas regras.

     

    A coordenadora informa que o curso é dirigido a todo público interessado em cinema, desde sua história, sua linguagem, sua participação na sociedade, até sua utilização como recurso na educação, “seja na escola, em empresas, variados grupos de estudo”, resume, explicando que por se tratar de um curso de pós-graduação, ser graduado é o único requisito para se realizar essa especialização, não havendo restrições quanto à área cursada “pois cinema é arte e, como tal, acolhe a todos que quiserem se aproximar”.

     

    As disciplinas do curso de especialização em Cinema e Educação estão voltadas para o conhecimento do cinema e sua história incluindo a prática e elaboração de vídeo incluindo disciplinas direcionadas para a interpretação de filmes, como o estudo da  semiótica, da literatura, do cinema, religião,  psicologia, infância e meio ambiente. Há ainda disciplinas específicas para a didática e práticas de ensino.

     

    Este é o segundo curso de especialização em cinema promovido pela Cara Vídeo/ IFITEG, tendo a chancela da UEG. Segundo Vera Bergerot, a primeira turma foi bastante heterogênea em termos de formação, mas tornou-se uma unidade em termos de interesse e participação.  Os trabalhos finais atestaram o bom nível alcançado em termos de conhecimento sobre o cinema, sua interpretação e sua utilização.


    As aulas são realizadas quinzenalmente, aos finais de semana: sextas das 19:00 às 22:00 hs e sábados das 8:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00 hs.   A carga horária do curso é de 456 horas/aula.

     
    Grade curricular - A coordenadora do curso de Cinema e Eduacção, Vera Bergerot, também responde pela disciplina História do Cinema, que aborda questões como surgimento e desenvolvimento do cinema; a necessidade de seu histórico como fator de compreensão e utilização, tanto como recurso de ensino, como apoio interdisciplinar, além de  linguagem do cinema e seus recursos técnicos. Na bibliografia da disciplina, destaca-se autores de renome como Celso Sabatin, que assina o livro  "Vocês ainda não ouviram nada - a barulhenta história do cinema mudo"  e Edgar Morin, autor de  "Os sete saberes necessários para a educação do futuro".

    Adriano Furtado Holanda é o responsável pela disciplina Cinema e psicologia, que abardará como os filmes  recorrem a fundamentos psicológicos e psicanalíticos na construção de personagens e no desenvolvimento de tramas, conceitos de psicologia e a estratégia naturalista em busca da verossimilhança e da credibilidade no cinema de ficção. Os mecanismos de identificação entre espectador e personagens: a estratégia de catarse. O ser humano simplificado: as estratégias de causa-e-efeito do mau cinema de ficção. O cinema como exemplo: máquina para reprodução de comportamentos.

    Semiótica, disciplina que apresenta o conceito de linguagem e as relações entre arte e linguagem a partir da discussão de alguns autores seminais como : Gombrich , Jakobson  e Peirve é de responsabilidade de Terezinha Maria Losada Moreira .

    Cinema e Meio Ambiente será ministrada por Lisbeth Oliviera e na grade estão  discussões como questões ambientais vistas pela ótica do cinema; expansão da consciência ambiental, a a questão da sustentabilidade e a produção de filmes ambientais no Brasil e no mundo; ferramentas para uma holística do meio ambiente, de uma participação cidadã e ainda o desafio da transdisciplinaridade, transculturalidade e responsabilidade global.

    Angela Batista Rosa Mendes é a professora de Cinema e infância, disciplina que trabalhará  filmes de formação e sobre os ritos de passagem. A simplificação hollywoodiana: a criança como geniozinho circense ou ferramenta para provocar lágrimas. A idealização da infância. A infância como olhar de contraponto ao mundo adulto. A infância como sofrimento e como pesadelo. A inocência do cinema. A exposição de crianças e jovens à violência das imagens: a representação da violência no cinema ao longo do século 20. A violência das imagens.

    Como interpretar filmes é a matéria do professor Sérgio Alberto Rizzo Junior, que apresentará aos alunos as  diversas abordagens de análise do cinema: história, principais conceitos. Como lidar com as várias fontes de informação. A consolidação da indústria cinematográfica: o “gênio do sistema” como o realizador impessoal e invisível de filmes. A integração entre as áreas de atuação envolvidas na realização de filmes como pressuposto de qualidade técnica: produção, direção, roteiro, fotografia, montagem, direção de arte e cenografia. Diálogo entre ficção e documentário.

    O professor Rizzo também responde pela disciplina Cinema e a escola, com abordagens sobre questões como  a presença do cinema na educação; o uso de filmes como apoio à apresentação e discussão de conteúdos;planejamento de atividades;desenvolvimento de projetos com as seguintes ênfases: o cinema como ferramenta paradidática; o cinema como reflexão sobre a educação e processos educacionais, formais ou informais; o cinema na perspectiva de educação do olhar: alfabetização de espectadores para um mundo de estímulos audiovisuais; o cinema como ponto de partida para conexões com o mundo.

    O curso contará ainda com a disciplina Cinema e religião , ministrada pelo professor Alberto da Silva Moreira . Na grade da disciplina, o “star system” e a criação de seus objetos de devoção; salas de cinema como templos e espectadores como devotos.; fé no artifício: a “suspenção da descrença” e  o cinema de ficção como compensação da realidade vivida. Disciplina discutirá ainda a transcendência e a experiência trans-realista fundada em processo de identificação e ocinema e a recriação de episódios religiosos,  cinema narrativo .

    Tradução ou traição: os principais desafios da transposição de uma obra de um meio para outro. Cinema d’art: o “teatro filmado”.Roteiros como obras literárias autônomas. Procedimentos básicos para analisar filmes baseados em obras literárias. Categorias de adaptação: a transposição, o comentário e a analogia. Estes são alguns assuntos da disciplina  Cinema e Literatura, defendida pelo professor Luiz Serenini.

    O corpo docente é formado por reconhecidos conhecedores sobre o assunto, cada um dentro de disciplnas que envolvam suas especializações, são mestres e doutores de Goiás, Distrito Federal e São Paulo.