Pesquisa aponta mau cheiro como fator de exclusão social

     

        Alunas do curso de História da Unisul de Tubarão realizaram estudo sobre a higiene no Brasil e como o odor pode ser um fator importante na exclusão e inclusão social
     

        Na realização de um estudo sobre a história da higiene no Brasil,  Mônia Nunes Cardoso e Cibeli da Cunha Melo da Rocha, alunas do curso de história de Araranguá, da Unisul de Tubarão, concluíram que o mau cheiro também é responsável pela exclusão social. Definindo as linhas de seu trabalhado de conclusão de curso, elas explicam que na realização do estudo envolveram a História do Brasil e sua cultura vista de diferentes ângulos. Elas partiram do ponto que se refere aos cuidados que as pessoas precisam ter com a higiene pessoal e com meio ambiente em que vivem.

         “Os hábitos de higiene que, hoje, fazem parte da vida da maioria dos brasileiros são resultado de uma série de transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas no Brasil no século XX, dentre as quais se destaca a vinda da família real para o Brasil”, explica Mônia.  A pesquisa relata a formação dos hábitos de higiene no Brasil Colonial, passando pela chegada da Corte Portuguesa no Brasil Império, e trata da história dos produtos de higiene e sua introdução no cotidiano das várias civilizações ao longo do tempo.

     

    História e Hábitos

        Mônia Nunes e Cibeli da Cunha Melo observam que no estudo fazem uma reflexão sobre a história dos hábitos antes e após a chegada da Família Real, e sobre a história e a inserção de produtos de higiene no mercado brasileiro, incluindo a popularização do uso desses produtos no dia-a-dia da sociedade dita moderna. As pesquisadoras assinalam que essa reflexão permite discutir o odor na dimensão biológica e cultural, estabelecendo relações com a temática da exclusão social. Também contribui para análise do modo como as diferentes pessoas julgam o odor. Evidenciando alguns valores culturais, as alunas entrevistaram para o estudo sete profissionais – professor, dona de casa, advogado, cabeleireira, taxista, gari e comerciante. 

     

        A idéia foi selecionar um grupo que se relaciona com outras pessoas durante o exercício de suas funções e que trabalha com o mau cheiro ou para eliminar odores desagradáveis. Segundo Mõnia e Cibeli, o estudo registra que as pessoas expressão suas opiniões de acordo com os valores culturais que defendem. “Em cada resposta percebemos variadas manifestações com relação à idéia do odor. Realmente o mau cheiro é também responsável pela exclusão social, seja em qualquer uma das profissões. Os posicionamentos foram os mais variados, demonstrando assim que o odor pode e deve ser analisado não apenas pelo âmbito biológico, mas também pelo cultural”.