Descoberta de protozoário completa 100 anos.

        Congresso internacional promovido pela Uenf reúne especialistas em Búzios (RJ)

        As homenagens da comunidade científica internacional a sete pesquisadores de várias nacionalidades que se destacaram nos estudos sobre o protozoário Toxoplasma gondii marcaram a noite de abertura do TCC – Toxoplasma Centennial Congress − from Discovery to public health manegement (Congresso Centenário do Toxoplasma − da descoberta às estratégias de saúde pública). O Congresso, organizado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), se desenvolveu de 21 a 24 de setembro, em Búzios (RJ).

        O evento marca o aniversário de 100 anos da descrição do protozoário causador da toxoplasmose, doença que ocorre em todos os continentes e que atinge particularmente o Brasil. O Toxoplasma gondii foi descrito em 1908 pelo médico italiano Alfonso Splendore, que atuava no Brasil, e por dois pesquisadores franceses que atuavam na Tunísia. Os sete pesquisadores homenageados receberam a Medalha Splendore Nicolle, alusiva aos pioneiros dos estudos na área.

         O primeiro homenageado foi o norte-americano Elmer Pfefferkorn, um dos pioneiros em estudos genéticos que lançaram as bases para os conhecimentos adquiridos posteriormente sobre o Toxoplasma gondii. Quem recebeu a medalha em seu nome foi o professor Afonso Renato Affonso Meira, neto de Alfosno Splendore.

        O segundo homenageado foi o francês Georges Desmonts, que morreu em Genebra, Suíça, em julho deste ano. Desmonts se destacou no desenvolvimento de novas ferramentas de diagnóstico da toxoplasmose e teve atuação decisiva na prevenção da doença na França. A medalha será levada à viúva do Dr. Desmonts pelo pesquisador Francis Derouin, presidente honorário do Comitê Internacional de organização do congresso.

        Presente ao Congresso e aplaudido longamente e de pé, o médico alemão radicado nos Estados Unidos Jacob K Frenkel tornou-se referência mundial em estudos na área com seus estudos publicados a partir de 1949. Sua vasta contribuição na área inclui estudos detalhados com recém-nascidos mortos pela forma congênita grave da toxoplasmose e avanços no trabalho com modelos desenvolvidos com animais. Frenkel agradeceu aos organizadores, em especial à professora da Uenf Lílian Bahia, presidente do comitê brasileiro de organização, e lembrou o papel pioneiro do Dr. Splendore.

         Também presente ao Congresso e aplaudido de pé, o indiano Jitender P. Dubey, radicado nos EUA,  se tornou uma referência na área desde a publicação de seus primeiros artigos, na década de 1960. Médico veterinário, Dubey desenvolveu pesquisas em todo o mundo, com a cooperação de equipes locais, sobre a infecção da  toxoplasmose em animais.

         A Medalha Splendore Nicolle também foi concedida ao norte-americano Jack Remington, que propiciou muitos progressos no conhecimento da doença nos últimos 40 anos; ao brasileiro Mario Endzdeld Camargo (apresentado como um “predestinado” a dar uma contribuição importante ao mundo das análises clínicas); e ao francês Pierre Ambroise-Thomas, cuja produção científica tem estimulado a parasitologia médica e os estudos sobre a toxoplasmose. 


         Conferências de abertura – O alemão J. K. Frenkel e o brasileiro Wanderley de Souza ministraram as conferências de abertura do TCC.
    Frenkel abordou o tema “Proof of the identity of the new oocyst and Toxoplasma infectivity in 1970”. Já Wanderley de Souza falou sobre “A contribuição brasileira para o conhecimento da biologia do Toxoplasma gondii”. O vice-reitor da Uenf, Antonio Abel Gonzalez Carrasquilla, representou o reitor Almy Junior Cordeiro de Carvalho

     

    Cientistas enviarão carta ao presidente Lula

        Nem só de intercâmbio científico vivem os cientistas reunidos em Búzios (RJ) para celebrar o centenário da descrição do protozoário causador da toxoplasmose. Reunidos num simpósio que antecedeu a abertura oficial do Congresso TCC, centenas de especialistas brasileiros discutiram formas de incluir as ações relativas à toxoplasmose na agenda da saúde pública brasileira. Os pesquisadores estão redigindo um documento que será entregue ao presidente Lula.

         Os especialistas decidiram ainda criar uma rede para discutir e trocar experiências sobre a doença, tanto no aspecto da pesquisa básica quanto da ciência aplicada. O Ministério da Saúde do Brasil esteve representado na abertura do Congresso TCC. Num eco à preocupação dos cientistas brasileiros, a representante Rejane Alves foi clara: “Espero que possamos sair daqui não com o senso do dever cumprido, mas com o senso do dever a cumpri”.