Professora da Unisul participa dos Fóruns Mundiais, em Belém.

    Bollmann integra o Conselho Internacional do FME e coordena eixo temático sobre Educação e Meio Ambiente no Pará

     

         Um espaço plural e não-governamental para a convergência de novas discussões educacionais e sociais, que mobiliza pessoas, instituições e organizações, nacionais e internacionais. Desde o último dia 26, Belém do Pará, o coração do ecossistema mundial, é palco de dois grandes Fóruns Mundiais: Social (FSM) e Educação (FME). Juntos o FSM e FME contam com a participação de mais de 100 mil pessoas, brasileiros e estrangeiros. Dentre os inscritos está a professora Maria da Graça Nóbrega Bollmann, coordenadora do curso de Mestrado em Educação da Unisul, integra o Conselho Internacional do Fórum Mundial de Educação, e que preside a Associação de Educadores da América Latina e do Caribe. A professora coordena o eixo temático sobre Educação e Meio Ambiente na capital paraense. O Conselho Internacional aproveita os fóruns para se reunir, avaliar as atividades tendo como horizonte os próximos encontros mundiais, trocar informações sobre as políticas de educação dos países que o integram o CI, propondo encaminhamentos/ações para a materialização da "Plataforma Mundial de Educação" que, a cada Fórum, vai-se ampliando com as propostas construídas coletivamente.

          O FME, que contou com a inscrição de 10 mil participantes, no auditório do Hangar-Centro de Convenções de Belém, nos dias 26 e 27 de janeiro, é resultado do Fórum Social Mundial. Tem como missão priorizar a educação como instrumento de mudança e de construção de um mundo melhor. Dentre os princípios que regem sua carta, que orienta as políticas públicas de educação em todos os níveis e modalidades a partir da participação dos movimentos da sociedade, das instituições de educação e das organizações dos diferentes países do mundo, está o de lutar pela universalização do direito à educação; difundir uma concepção emancipadora da educação, que respeita e convive com a diferença e a semelhança, popular e democrática; garantir o acesso à educação e o uso da riqueza socialmente produzida, com prioridade aos oprimidos, silenciados, explorados e marginalizado do mundo; promover o controle social do financiamento da educação e a desmercantilização da educação; exigir dos governos e organismos internacionais o cumprimento da prioridade que dão à educação, dentre outros.

          A professora Graça Bollmann coordenou, ao lado dos professores Alcir Brandão, da Universidade Federal Rural da Amazônia e Sérgio Corrêa, da Universidade do Estado do Pará, um dos eixos temáticos do FME intitulado “Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade”. A plenária, que aconteceu no último dia 27, discutiu – dentre outros assuntos – o modelo capitalista e a necessidade de uma redefinição de nossos modos de viver e consumir, além da perspectiva real de se trabalhar nas escolas e universidade a educação e o meio ambiente e que contribua para o entendimento de que a natureza é um recurso finito, que possibilite a edificação de praticas ecológicas de conservação e preservação dos diversos recursos naturais e das populações:

          “O mundo vive uma crise, conflitos e profundas contradições. Em particular as questões sócio-ambientais retratam essa crise. Como conviver com ambiente, mercado, democracia e cidadania?”, questiona Bollmann.

          Segundo a professora, o entendimento, por intermédio da educação, do que se denomina sustentabilidade, poderá engendrar novas expectativas de futuro: “sustentabilidade é uma forma de desenvolvimento social, cultural, ambiental, comportamental e de valores, que tenham como foco principal garantir a qualidade de vida e o futuro da humanidade”, ratifica.

          O Fórum Social Mundial (FSM), que se estende até o dia 1° de fevereiro, também é um espaço aberto, diversificado e não-partidário, que estimula de forma descentralizada a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo. As três primeiras edições do FSM, bem como a quinta edição, aconteceram em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2004, o evento mundial foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, na Índia. Em 2006, sempre em expansão, o FSM aconteceu de maneira descentralizada em países de três continentes: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (Américas). Em 2007, voltou a acontecer de maneira central no Quênia (África).

          No FSM, a professora participou da mesa cujo título foi " Pós-neoliberalismo e educação: novos cenários e novos desafios nas políticas educacionais da América Latina", com os professores Orlando Pulido - UPN-FLAPE/Colômbia; Ingrid Sverdlick - LPP-FLAPE/Argentina; Règine Tassi ATTAC/França; e Luis Bonilla Centro Internacional Miranda - Venezuela. A atividade ressaltou, no atual cenário latinoamericano, a conjuntura mundial com os efeitos do modelo neoliberal e as alternativas no campo da educação para ampliar o acesso e a permanência na escola em todos os níveis e modalidades, além da melhoria na qualidade e maior controle social das políticas públicas, com o envolvimento das entidades da sociedade civil organizada que devem possibilitar a universalização da educação de qualidade social em todos os níveis para a população.

    Mais informações nos sites:
    www.forummundialeducacao.org  
    www.fundacionses.blogspot.com , coordenada por uma ONG do Fórum Mundial de Educação.