Grupo da Unisul tem lição de vida no interior do Pará.

    Seis alunos e dois professores da universidade ficaram, durante 18 dias, na cidade de Curuá, realizando oficinas e atividades para a população. A ação faz parte do Projeto Rondon.

         Saiba mais:  Uma hora em um avião comercial de Florianópolis à São Paulo, mais cinco horas e meia no avião da Força Aérea Brasileira até Santarém (PA), e mais seis horas e meia de barco. Esse foi o caminho percorrido pelos acadêmicos da Unisul Denise Cachoeira, Gerci Machado, Julie Menegaz, Larissa Dal Bosco, Renata Camargo e Siara Ciotta, pela coordenadora do grupo Valdirene Bruning e pela orientadora Fabiana de Medeiros, até chegarem a Curuá, no interior do estado do Pará.

         A viagem é parte do Projeto Rondon 2009 – Uma lição de vida e cidadania, operação centro-norte – Pará. Criado em 1967 pelo ministério da defesa, o projeto envolve atividades voluntárias de universitários e busca aproximar esses estudantes da realidade do País, além de contribuir, também, para o desenvolvimento de comunidades carentes. A Unisul, parceira do Rondon, participou de duas missões dessa edição, uma em Goiás e outra em Curuá – PA.

         O pequeno município de Curuá, que tem apenas 13 anos de existência e possui cerca de 12 mil habitantes, tem sua realidade sócio-econômica em um nível muito baixo. O que acaba gerando vários problemas com higiene e saúde, abastecimento de água e outras precariedades. O lixo, por exemplo, é queimado nos fundos das casas, fruto da falta de coleta na cidade.

        “A cidade é muito carente. Só estando lá para saber como é a realidade deles. O calor é muito insuportável (até a parede das escolas são furadas para o vento poder circular e amenizar o calor), tem muito mosquito, o banho é só gelado, e uma série de outras coisas que eles não têm acesso, como jornais, por exemplo”, conta Fabiana.

        “Indo lá, você vê o que é ser brasileiro. Você vê o tamanho da desigualdade que existe no nosso país. Depois que voltei dou valor a muitas coisas que não dava antes”, completa Valdirene.

        Juntamente com um grupo da Univap, de São José dos Campos – SP, os tubaronenses trabalharam em tempo integral (manhã, tarde,noite e finais de semana) em oito projetos: “Educando quem educa”, “Alimentação consciente”, “Museu do brinquedo”, “Orientação sobre violência contra mulher”, “Atividade Física, esporte e saúde”, “Sexualidade saudável”, “Terapeutas da alegria” e “Manejo do stress e ansiedade”.

        O trabalho desenvolvido pelo grupo foi voluntário. Ganharam moradia, alimentação e transporte. O material necessário para realizar as oficinas e atividades, que foram levados daqui, foram doados por alguns colaboradores, como a Unisul, Papelaria Marielle, Papelaria e Livraria Unisul, Getel, Ortonew e Paes & Paes.

        O trabalho superou as expectativas. A população da cidade participou muito, nunca deixando as oficinas com menos de 30 participantes (algumas até chegaram a ter mais de 100). E não só participou como gostou. Todos os dias a delegação da Unisul recebia presentes (que no caso eram frutas) dos moradores como forma de agradecimento pelo trabalho prestado à comunidade.

        “O prefeito gostou tanto que pediu para voltarmos em julho. Vamos fazer os procedimentos necessários e desejamos voltar para ver como está o andamento dos trabalhos que a gente iniciou e também para orientar novas atividades”, diz Valdirene.

        Antes de voltar para a casa, o grupo ainda organizou uma feira cultural na cidade. Depois, mais algumas tantas horas de barco e avião para voltarem para casa. Mas o cansaço era deixado de lado quando o assunto “Lição de Vida” vinha à tona.

        “Com certeza, nenhum dos participantes irá esquecer do povo humilde e alegre da pequena Corupá”, concretiza Valdirene.

     

    Orgulho em ajudar quem precisa

        A acadêmica de Jornalismo da Unisul de Tubarão, Julie Menegaz, foi uma das participantes da expedição. Conhecendo a experiência de amigos que já participaram do projeto, a jovem se interessou pelo trabalho voluntário que era realizado a pessoas necessitadas e resolveu que também queria dar sua parcela de contribuição.

        “Essas atitudes de poder ajudar quem precisa e quem passa por dificuldades me chamam atenção. Eu tenho muita vontade de ajudar e às vezes são atos tão simples e fáceis para nós, mas que podem mudar a realidade de muitas pessoas. Acho que conhecer uma outra realidade (completamente diferente da minha) também foi um motivo a mais para participar”, conta.

        A assiduidade das pessoas nas oficinas, falando o que sabiam e perguntando, sem ter vergonha de não saber sobre determinado assunto, e a felicidade do povo, também foram fatores que chamaram a atenção da estudante e fizeram com que ela absorvesse lições de vida.

       “Acho que o grande exemplo é que mesmo com poucos recursos e com muita carência, a população é feliz e muito participativa. A felicidade deles é incrível. A vida é muito simples lá, então a felicidade está em pequenas coisas. Todos dançam e cantam o tempo todo, estão sempre sorrindo. Todo mundo passa na rua e se cumprimenta, dá bom dia, boa tarde, isso é uma coisa que se perdeu nas cidades e lá ainda é visível. Eu voltei pra casa dando muito mais valor para tudo o que tenho e me importando menos por não ter algo”, explica.

        Além de lições de vida e moral, Julie conta que absorveu muitos pontos positivos também para sua vida profissional.

        “Tu aprendes a trabalhar em grupo, respeitar diferenças, encarar desafios, engolir sapos, contornar situações inusitadas, usar linguagem própria para cada faixa etária para trabalhar o mesmo assunto, ter paciência, aprender uma cultura nova... Muitas coisas que acho que são válidas para qualquer profissional e que nenhuma faculdade vai ensinar”.

        Uma experiência única, um aprendizado diferenciado e o orgulho de ter colaborado com a vida de pessoas simples, felizes e necessitadas, vão sempre fazer parte da lembrança de Julie e de todos que participaram do projeto.

        “Nos últimos dias, algumas pessoas nos procuravam para dizer que nós mudamos a vida delas. Isso não tem preço. Acho que nós não fizemos nada fora do comum, além de levar informação, carinho e força de vontade, mas mesmo assim as pessoas nos agradeceram muito”, conclui.