Sobrecarga compromete serviço prestado por médicos de UTI's.

    Pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) constata sobrecarga de trabalho de médicos, aponta riscos para o desenvolvimento da síndrome da estafa profissional e questiona a qualidade do serviço prestado para a comunidade. O estudo foi realizado por um grupo de pesquisa coordenado pelo professor doutor Carlito Nascimento, do Departamento de Saúde.

     

    Foram entrevistados 297 profissionais que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de Salvador nos dois últimos anos.

     

    A síndrome da estafa profissional é uma doença psicológica relacionada ao trabalho que pode ou não envolver dimensões classificadas como exaustão profissional (cansaço), despersonalização (frieza na relação com o paciente e com os familiares) e ineficácia (sentimento de incompetência e auto-avaliação negativa).

     

    As entrevistas realizadas revelaram uma série de fatores que levam ao desenvolvimento da síndrome da estafa profissional como ritmo e sobrecarga do trabalho, isolamento durante a jornada de 12 horas na UTI, trabalho sob tensão e número alto de pacientes sob a responsabilidade de um único médico.

     

    Dos médicos que atuam nas UTIs, 79% têm idade menor que 40 anos e 38% têm idade até 30 anos; 59% dos médicos têm menos de 10 anos de graduação e 90% têm menos de 20 anos de graduação. Foi constato também que 66% dos médicos trabalham numa carga horária entre 60 a 90 horas semanais; a maioria trabalha 74,6 horas por semana, ou seja, praticamente o dia todo (manhã, tarde e noite).

     

    A pesquisa concluiu que os médicos com sobrecarga de trabalho têm 10 vezes mais chances de desenvolverem a estafa profissional. A maior parte dos que trabalham em UTIs são jovens, trabalha em mais de um plantão de 12 horas numa mesma semana, além de terem  outros compromissos em setores de emergência e em consultórios particulares.

     

    Uma normatização do Conselho Federal de Medicina orienta o limite máximo de 12 pacientes para cada médico da UTI. Porém, a realidade encontrada foi outra. Médicos relataram já terem sob sua responsabilidade até 22 pacientes.

     

    Segundo o professor Carlito Nascimento, esses médicos trabalham com situações limítrofes. “Além de comprometer a qualidade de vida do profissional, a situação deixa em xeque a qualidade do serviço prestado ao paciente”. Nascimento adverte que os médicos, desta forma, ficam mais expostos a processos éticos profissionais. Para o médico, praticar alguma atividade física e ter algum hobby é uma forma de se evitar a Síndrome da Estafa Profissional.