Vigilância contra gripe suína.

    Vírus pode ser o resultado de mistura de genes humanos e de aves.

     

    Enquanto a vacina contra a gripe suína não fica pronta, a única forma de evitar a disseminação do vírus A H1N1 é através da vigilância epidemiológica. É o que diz o professor Carlos Eurico Travassos, do Laboratório de Sanidade Animal (LSA) da Uenf, que desde 2004 desenvolve trabalho de monitoramento do vírus influenza nas aves migratórias que passam pelo litoral da região, entre as praias do Farol de São Tomé e Grussaí.

     

    - Não há como evitar que o vírus chegue ao Brasil. Mas o monitoramento dos portos e aeroportos, a introdução de medidas preventivas e o tratamento adequado daqueles que vierem a adquirir a doença podem evitar que o vírus se dissemine - afirma.

     

    Segundo o professor, uma vacina específica contra a gripe suína vai demorar de três a quatro meses. Isso porque será necessário, primeiro, isolar o vírus, depois replicá-lo e, por último, produzi-lo na quantidade suficiente para atender a toda a população. As vacinas da gripe comum são refeitas anualmente devido à mutação do vírus, num trabalho coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

     

    Este tipo de vírus acomete tanto humanos quanto suínos, mas ainda não há confirmação de que o vírus que já matou 26 pessoas (25 no México e uma nos Estados Unidos) - de um total de 1.124 pessoas contaminadas em todo o mundo - tenha passado de suínos para humanos.

     

    - O suíno pode ser contaminado por vírus influenza que circulam em aves e em seres humanos. Quando isso acontece ao mesmo tempo, pode ocorrer uma mistura de genes, o que facilitaria o surgimento de novas cepas, bem mais agressivas. É o que se acredita que possa ter acontecido - explica Carlos Eurico.

     

    O sucesso epidemiológico dos vírus influenza se deve ao surgimento de novas variantes antigênicas desses vírus, devido à elevada frequência de rearranjo genético e as consequentes modificações antigênicas nas glicoproteínas de superfície do vírus, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N). Embora os sintomas da gripe suína sejam os mesmos provocados pelos vírus comuns, o A H1N1, por sua aparente maior virulência, atinge com maior intensidade a mucosa respiratória, facilitando o surgimento de infecções secundárias que, se não tratadas adequadamente, podem levar a óbito.

     

    Para Carlos Eurico, o maior número de mortes no México pode ter como causa a deficiência do sistema hospitalar. É importante a atenção das autoridades de saúde, permitindo que os pacientes tenham acesso aos antivirais, que são caros.

     

    - O final de outono e o início de inverno é uma época propícia à disseminação dos vírus da gripe. Aqueles que não estiveram no México ou não tiveram contato com pessoas suspeitas não devem entrar em pânico aos primeiros sintomas de gripe. Outro equívoco é evitar o consumo de carne de porco, porque mesmo que o vírus venha realmente dos suínos, o cozimento mata o vírus - afirma.

    Agenda

    - O médico César Ronald, doutorando em Produção Vegetal pela Uenf, ministra seminário nesta quinta-feira, 07/05, às 17h, sobre o tema "Monitoramento de epidemias, surtos ou endemias através de 'Sistema de Referências Geoprocessadas'". O seminário será realizado no Auditório I do prédio P4 ou na sala 107 do CCTA.

     

    - O doutorando Marcelo Geraldo de Moraes, da Pós-Graduação em Genética e  Melhoramento de Plantas, ministrou seminário de tese nesta terça, 05/05. O tema é 'Seleção recorrente intrapopulacional no maracujazeiro amarelo: alternativa de capitalização de ganhos genéticos'.

     

    - Saiu o sétimo número da Revista Interscienceplace, que passa a ter periodicidade bimestral. O endereço é http://www.interscienceplace.org.