Pesquisadores debatem ações contra brusone do trigo.


               O projeto Brusone do Trigo: Estudo da interação planta-patógeno coordenado pela Embrapa Trigo foi apresentado aos especialistas dias 6 e 7 de maio durante um workshop realizado na cidade de Passo Fundo (RS). A meta do encontro foi alinhar - para os próximos três anos - as ações previstas no projeto.

     
                Mais recente doença de importância econômica na cultura do trigo, com danos que podem comprometer até 60% da produção no Brasil, Bolívia e Uruguai, a brusone é foco de um projeto de pesquisa envolvendo a Embrapa Trigo, Embrapa Cerrados, Embrapa Agropecuária Oeste, Embrapa

                   Arroz e Feijão, Universidade de Rio Verde, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade de Passo Fundo.

                  Nos dias 6 e 7 de maio, cerca de 30 pesquisadores de diversas especialidades (geneticistas, melhoristas, fitopatologistas, estatísticos, agrônomos e biólogos) se reuniram em Passo Fundo (RS) para conhecer o projeto, que é coordenado pela pesquisadora Gisele Torres, da Embrapa Trigo.

                Professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde, o pesquisador Antonio Joaquim Braga Pereira Braz é um dos especialistas envolvido na busca por resultados no controle à brusone do trigo no Brasil.

                  Braz, que participou do workshop, explica que o projeto vai ser desenvolvido em conjunto com a área de melhoramento (unindo o conhecimento do patógeno com os recursos genéticos disponíveis) identificando assim cultivares que apresentem tolerância ou resistência a brusone para o cultivo da cultura do trigo nas condições de sequeiro.

                 O professor relata que ainda são escassas as informações sobre a brusone do trigo e que o projeto representa uma retomada da pesquisa. “Em Goiás, o cultivo do trigo de sequeiro foi limitado nos últimos dez anos em virtude da doença”.

                  O workshop, afirma, foi somente a primeira ação do projeto. Nos próximos três anos os pesquisadores estarão concentrados em colocar em prática os sete planos de ação que constam em seu planejamento: Gestão do projeto; Caracterização fenotípica de trigo e de espécies afins quanto à infecção por Pyricularia grisea, em condições controladas de ambiente; Identificação de genes candidatos relacionados à brusone do trigo, através de ferramentas de bioinformática; Histopatologia do processo infeccioso de Pyricularia grisea em trigo e espécies afins;

                 Identificação de genes diferencialmente expressos em trigo e espécies afins, em resposta à infecção por Pyricularia grisea; Caracterização de genótipos de trigo, de espécies afins e de isolados de Pyricularia grisea através de marcadores moleculares e Caracterização fenotípica
    de genótipos de trigo quanto à infecção por Pyricularia grisea, em condições de campo.

     
      A brusone

                   A brusone, relatada pela primeira vez em meados da década de 80, no norte do Paraná, rapidamente disseminou-se para outras regiões tritícolas do país. Como o fungo depende de umidade e altas temperaturas para se instalar, a doença é fator limitante para a expansão da cultura nas condições do Brasil Central, principalmente no cultivo de sequeiro.

     
                 Os sintomas típicos da doença são o branqueamento das espigas, comumente da metade para o ápice. Mas, em alguns casos, pode ocorrer em toda a parte aérea da planta. Nas folhas podem ser observadas, ocasionalmente, lesões elípticas com margem de coloração marrom-escuro e centro claro (acinzentado).