Unochapecó terá curso de graduação para formar professores indígenas.

    Unochapecó é a primeira universidade do Sul do país a disponibilizar esse curso superior, que prioriza o ensino respeitando os costumes e ensinamentos indígenas.

     Um curso de Licenciatura Específica para a Formação de Professores Indígenas Kaingang passará a ser ministrado pela Unochapecó a partir do próximo semestre letivo. É resultado de uma parceria estabelecida com a Secretaria da Educação do Estado de Santa Catarina. É a primeira vez que um curso como esse é oferecido na região Sul do país, com a finalidade específica de formar professores de escolas indígenas com o título de licenciados.

    Para discussões preparatórias ao início do curso, neste sábado, 27 de junho, será realizada uma reunião em Ipuaçu. Será às 9h, nas dependências do Colégio Indígena Cacique Vãinkrê, na Terra Indígena Xapecó.

    Na primeira etapa serão oferecidas 60 vagas para professores índigenas Kaingang. Os alunos não terão custo com a graduação, já que o curso é uma solicitação da Secretaria da Educação, que repassará bolsas de estudo através do Artigo 171 da Constituição Estadual. Dessa forma, os valores investidos pela universidade para manter o curso serão repassados pelo governo catarinense, em forma de convênios anuais durante o período de cinco anos, tempo em que os alunos concluirão o curso.

    O aluno poderá optar por uma das quatro áreas de formação oferecidas. São elas: Matemática e Ciências da Natureza; Ciências Sociais; Línguas, Artes e Literaturas; e Pedagogia. Depois de concluído o curso, o aluno receberá o título de licenciado em uma dessas quatro áreas. As aulas serão ministradas em regime especial e presencial, na Terra Indígena Xapecó, no município de Ipuaçu, e as inscrições para o curso serão de 1 a 15 de julho, nas gerências regionais de educação (Gereds), de Chapecó, Xanxerê e Seara.

    Manter e repassar costumes indígenas

    O convênio assinado entre a Unochapecó e a Secretaria de Educação de Santa Catarina representa a valorização da pluralização cultural, avalia o coordenador do projeto, professor Leonel Piovezana. “A formação de professores, que irão atender especificamente os interesses das comunidades indígenas é algo relativamente novo e representa avanços, pois o professor graduado passará a ter, além dos conhecimentos ditos tradicionais para o ensino de jovens, o domínio dos conhecimentos indígenas, com capacidade para entender e repassar essa cultura”, argumenta Leonel.

    No curso, a proposta inicial é de formar um novo agente educativo para atuar especificamente com comunidades Kaingang. Para o coordenador do projeto, “isso demonstra o amadurecimento institucional da Unochapecó, dentro da concepção de universidade que tem iniciativas e concebe o desenvolvimento regional através do atendimento das demandas, mas que vai além das necessidades dos grupos sociais tradicionais”.

    Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, ficou clara a posição do governo de promover a homogeneização cultural, com o acesso à educação de forma igual para todos os cidadãos. No entanto, essa proposta não respeitava as diferenças sociais e culturais das diversas etnias que compõem a nação brasileira, pois pretendia incorporar os indígenas à sociedade, abandonando a identidade e assimilando a cultura nacional de massa.

    Passado algum tempo da promulgação da Constituição, o Estado mudou sua concepção quanto à homogeneização cultural e passou a apoiar a pluralização. Com isso, passou a ter como meta levar a educação básica e superior até as aldeias, sem deixar de valorizar os ensinamentos e a cultura mantidos pelos indígenas durante séculos.