Uneal abriga achado histórico em Arapiraca.

    Universidade pretende pesquisar vestígios de cemitério indígena no município.

      Pesquisadores e alunos dos cursos de História, Geografia e de Biologia da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) aguardam com ansiedade o resultado dos primeiros estudos arqueológicos acerca da recém-descoberta de urna funerária indígena no município de Arapiraca.

    O grupo pretende iniciar uma série de pesquisas sobre os primeiros povos que habitaram a região.

    No último dia 5 deste mês, pedreiros que trabalham na construção de uma casa, no Sítio Alazão, na zona rural de Arapiraca, começaram a retirar material para acabamento, quando encontraram um grande pote - também conhecido no local como purrão, que media cerca de 80 centímetros de altura.

    Imaginando se tratar de uma botija - uma espécie de tesouro enterrado - os moradores retiraram o pote e depois quebraram parte dele, percebendo então que havia ossadas humanas.

    A polícia foi acionada até o local e solicitou a presença de peritos do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil.

    Após analisarem o achado, os peritos revelaram que a peça seria uma urna funerária indígena (igaçaba) de centenas de anos.

     

    Relíquia

    A diretora do Campus I, professora Rejane Viana foi contatada e tomou as providências para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fosse informado sobre a descoberta.

    A pró-reitora de Extensão, professora Ângela Leite, juntamente com o biólogo Renan Rocha e a aluna Anna Kelmany estiveram no local e ficaram preocupados com as condições em que se encontrava a urna funerária indígena.

    Imediatamente entraram em contato com o Iphan, que autorizou a retirada e guarda de todo o material encontrado (urna e ossos).

    O material foi levado para a sala da Pró-Reitoria de Extensão (Proext), após a adoção de medidas para as condições adequadas de acondicionamento do precioso achado.

    Por conta disso, a Uneal, por meio da Pró-Reitoria de Extensão, vem mantendo uma série de contatos com o Iphan e, também, com arqueólogos.

    As ações têm como finalidade viabilizar a realização de pesquisas arqueológicas no local onde foi encontrada a igaçaba, por conta da possibilidade de o achado fazer parte de um cemitério indígena, fato que indiciaria a possível localização de aldeamento indígena no município de Arapiraca.

    “Tais indicativos só poderão ser confirmados através de pesquisa arqueológica”, revelou Ângela Leite, esclarecendo que, inicialmente, a urna funerária indígena (igaçaba) com os ossos humanos ficará guardada em uma urna de madeira com vidros aparentes, aguardando a determinação do Iphan, para que as pesquisas arqueológicas sejam providenciadas.

    “Além disso, a Reitoria da Uneal já garantiu apoio irrestrito ao projeto, que terá papel fundamental na produção de pesquisas, com a revelação de fatos importantes acerca da pré-história de Arapiraca”, completou Ângela Leite.