Uneal pesquisa a Pré-História do Agreste de Alagoas.

    A rotina dos moradores do Povoado Alazão, comunidade rural localizada a oito quilômetros da área urbana de Arapiraca, está sendo modificada depois de uma descoberta arqueológica que pode mudar a história acerca dos primeiros habitantes do município.

    Há pouco mais de um mês, pedreiros que trabalhavam na construção de uma residência começaram a retirar material para o acabamento da casa, quando encontraram um grande pote - também conhecido no local como purrão, que media cerca de 80 centímetros de altura.

    Imaginando se tratar de uma botija - uma espécie de tesouro enterrado - os moradores retiraram o pote e depois quebraram parte dele, percebendo então que havia ossada humana.

    Após analisarem o achado, os peritos revelaram que a peça seria uma urna funerária indígena (igaçaba) de centenas de anos.

    Um grupo de pesquisadores, incluindo professores e alunos dos cursos de História, Geografia e Biologia da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) foram até o local e isolaram a área onde foi encontrada a urna funerária.

    Sob a orientação de um especialista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a pró-reitora de Extensão da Uneal, professora Ângela Leite, juntamente com o biólogo Renan Rocha e a aluna Anna Kelmany receberam autorização para providenciar a retirada e guarda da urna e dos ossos.

    O achado arqueológico foi levado para uma sala na universidade, após a adoção de medidas para as condições adequadas de acondicionamento da preciosa descoberta.

    Por conta da singularidade do achado - uma vez que não há registros da passagem de índios em Arapiraca - cientistas já começam a desembarcar na cidade, em busca de novas evidências que possam atestar a presença de um antigo cemitério indígena na zona rural do município.

    Na última sexta-feira, o professor e arqueólogo Henrique Pozzi, da empresa Arqueologia Brasil, foi até o povoado, juntamente com os professores da Uneal, para verificar in loco a área onde foi encontrada a urna funerária indígena.

    Após examinar o local, o cientista encontrou peças de cerâmica e outros objetos históricos, confirmando a existência de um sítio histórico, com a presença de um aldeamento indígena de centenas de anos na zona rural de Arapiraca.

    Pozzi explicou que os estudos mostravam a presença de índios na região de Palmeira dos Índios e no Baixo São Francisco. “Agora, com esse achado, podemos afirmar com certeza a existência, num passado remoto, de aldeamento indígena na zona rural de Arapiraca.

    “Ainda é cedo para atestarmos a idade do achado e tampouco o sexo do índio, uma vez que essas informações somente poderão ser evidenciadas por meio de testes de luminescência e uso do carbono 14”, observou o cientista.

     

    Universidade pretende criar museu

     

    "Acredito que estamos diante da maior descoberta já ocorrida na região. Com esse achado, a Uneal tem a possibilidade de realizar estudos e pesquisas para desvendar a pré-história do município de Arapiraca e de toda região", afirmou a pró-reitora Ângela Leite.

    Por conta disso, ela adiantou que a pró-reitoria vem mantendo contatos com o Iphan, a fim de que a Uneal possa desenvolver novos estudos e montar o primeiro museu temático e resgatar a história dos primeiros habitantes do município.

    Ângela Leite esclareceu que a Universidade Estadual de Alagoas, por meio da Pró-Reitoria de Extensão, está mantendo contatos com o Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), em Brasília, para a construção de um museu para abrigar as recentes descobertas arqueológicas ocorridas em Arapiraca.