Pesquisa aponta consumo de cigarros e álcool entre gestantes.

    O tema foi abordado no TCC da acadêmica do Curso de Medicina, Fernanda Nunes, que teve como objetivo observar o consumo de álcool e cigarro por gestantes do HNSC.

      Fernanda Nunes Maria é formanda do curso de Medicina da Unisul de Tubarão. Escolheu como tema de Trabalho de Conclusão de Curso “O Estudo Epidemiológico Sobre Uso de Álcool e Fumo por Gestantes na Maternidade do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão”.

     A pesquisa foi realizada com 157 gestantes. Para isso, foram coletados dados sócio-demográficos e gestacionais e informações sobre uso de álcool e tabaco. As informações foram coletadas através de um questionário aplicado pela acadêmica, onde perguntava sobre hábitos (como a comida e bebida alcoólica preferida).

     Fernanda considera os resultados obtidos na pesquisa preocupantes. A prevalência do uso de álcool foi de 37%, sendo que o consumo alcoólico de risco foi de 23%. O ato de não praticar religião esteve significativamente relacionado ao consumo de bebida alcoólica durante a gravidez.

     Já o consumo de tabaco durante a gestação foi de 14%, sendo que 42% das tabagistas foram classificadas quanto a dependência de nicotina em leve e 29% moderada ou grave. Foi encontrada elevada concomitância do uso de cigarro e álcool.

     “Praticar religião apresentou-se como fator protetor para consumo de ambos, porém o tabagismo também esteve relacionado à menor escolaridade. Havendo assim, indicativo de disseminação de álcool de forma mais homogênea e democrática nas diferentes classes sociais”, retifica a acadêmica.

     Segundo a formanda, o hábito de beber socialmente tornou-se um agravante paras as mulheres gestantes. “O consumo do cigarro é de fácil identificação quando é feito o pré-natal, e os seus agravantes já são alertados de início. Entretanto, o consumo de bebidas alcoólicas passa desapercebido, porque as gestantes negam fazer uso”.

     De acordo com Fernanda, o pensamento de todas é: duas latinhas de cerveja no fim de semana não faz mal. “É com o pensamento que o beber socialmente não faz mal, que elas negam aos médicos que consomem bebidas alcoólicas durante a gestação. Este é o grande erro da maioria das mulheres, as conseqüências para o feto que ainda está em desenvolvimento são gravíssimas”.

     Para a acadêmica, os meios de comunicação, ao invés de alertarem a sociedade para a gravidade deste problema, induzem ainda mais para o consumo destas drogas. “Quanto a tabagismo, são feitas várias propagandas que ressaltam a gravidade que o cigarro traz para a vida das pessoas. Já o alcoolismo é explicito como algo que não faz mal sem excesso. “Se beber não dirija”, não dirija, mas beba. Isso influência a sociedade que beber socialmente não traz conseqüências”.

     As entrevistadas tinham idades entre 18 e 46 anos. Cento e quarenta e oito destas eram casadas ou amasiadas (94,3%) e as outras nove (5,7%) se declararam como solteiras ou separadas. Quanto a escolaridade a mediana foi 8 anos de estudo.A maioria possuía baixa renda familiar, sendo que 65,6% declararam renda menor que 2 salários-mínimos e apenas 34,4% era igual ou superior a este valor. Em relação às praticas religiosas, 98,1% referiram ter religião, sendo que 53,5 % das mulheres religiosas praticavam suas crenças em contraste a 46,5% que não a praticavam.

     Fernanda conclui salientando a escolha do tema e afirmando que alcançou os objetivos desejados.  “Eu optei por esse tema porque eu já tinha um projeto de pesquisa sobre o rastreamento do uso de álcool por gestantes, o PUIC. E também percebi o uso do cigarro. A realização deste trabalho foi bastante satisfatória. Consegui alcançar o meu objetivo e fico bastante feliz por isso”.