O debate destacou uma formação mais diversificada frente às demandas da sociedadeNa tarde do segundo dia (22) do 73º Fórum da ABRUEM aconteceu a câmara técnica de graduação com o título "Os desafios da Flexibilização curricular para uma formação mais diversificada frente às demandas da sociedade", apresentada pela professora Joana Angelica Guimarães da Luz, reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). O momento foi presidido pela professora Amali de Angelis Mussi, reitora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e secretariado pela professora Rosa Eugênia Villas Boas Moreira de Santana, da mesma instituição.
Formação mais diversificada - o modelo da UFSB
A professora Joana trouxe à discussão os desafios da formação acadêmica tradicional frente a realidade de vida do público que ingressa nas universidades brasileiras hoje, onde são menos analógicos e mais digitais do que em qualquer outra época, e também destacou como a universidade pode fazer chegar o ensino superior de qualidade aos municípios mais distantes dos centros urbanos principais, como no experiência da UFSB por meio do programa de ensino superior mediado por tecnologia em polos municipais de cidades com mais de 20 mil habitantes (conforme realidade populacional do estado da Bahia). Desse modo, as aulas acontecem em salas estúdio com transmissão em tempo real de forma 'metapresencial', uma abordagem metodológica síncrona (ao vivo), onde os estudantes participam da aula com toda interação estando direto no polo ou em suas casas, enquanto o professor está em uma das sala de aula das 3 sedes da Instituição presencialmente usando os recursos tecnológicos necessários para sua aula, estes são denominados "colégios universitários".
Também no contexto da formação mais diversificada no ambiente acadêmico, a professora descreveu como o estudante pode cursar sua graduação em dois ciclos. No caso, ao concluir um curso de primeiro ciclo (formação generalista que forma professores para o ensino básico em grandes áreas do conhecimento, exemplo: Licenciatura Interdisciplinar em Artes e suas tecnologias ou Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades), a/o estudante pode optar, de acordo com o seu percurso e o cumprimento das exigências para ingresso, por realizar um curso de segundo ciclo (áreas específicas de formação profissional, exemplo: Engenharia Florestal, Jornalismo). Também é possível ingressar diretamente em um curso de segundo ciclo por meio das formas de ingresso disponíveis. Pra cada curso concluído nos ciclos é conferido um diploma de Bacharelado ou Licenciatura na área cursada escolhida. Segundo a docente, ao apresentar o exemplo da UFSB, esta propõe instigar e provocar a contínua busca e empenho de outras universidades públicas por um modelo pedagógico de pluralidade pedagógica que articule modelos formativos e avaliativos modulares e progressivos, investindo sempre no uso intenso de tecnologias digitais de ensino-aprendizagem.
Desafios da Flexibilização Curricular
Joana da Luz traz a seguinte reflexão para discussão, "em mundo extremamente ágil, onde as pessoas já chegam nas universidades vivendo muito mais rápido e com muita pressa, nós, enquanto instituições de ensino superior públicas, continuamos, em grande medida, no formato tradicional de uma leitura de mundo antiga".
"Por que continuamos trabalhando com cursos extensos, inflexíveis, amarrados em formatos limitados? Isso vem de uma série de fatores habituais que foram construídos ao longo do tempo nos mantendo na zona de conforto enquanto docentes. Então, nosso desafio é romper com esse ciclo, o que depende muito da nossa percepção de como o mundo está hoje e do nosso posicionamento frente aos desafios da flexibilização do curricular", conclui a reitora da UFSB.
Por: Gisleine Rodrigues, UEMS


